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PicPay cai 19% após resultado do 1T26 e já acumula 52% de queda desde o IPOPicPay cai 19% após resultado do 1T26 e já acumula 52% de queda desde o IPO

05 de junho de 2026 Mercado Financeiro

O PicPay viveu um dia difícil na Nasdaq na última quarta-feira, dia 3 de junho. As ações fecharam cotadas a US$ 9,03, com queda de 19,16% no dia, equivalente a US$ 2,14 por papel. O banco digital não operou em terreno positivo em nenhum momento da sessão.

Desde a estreia na bolsa norte-americana em janeiro deste ano, o papel acumula perda de 52,47%, deixando o preço atual bem distante do preço-alvo de US$ 20 estipulado pelo BTG Pactual, que mantém recomendação de compra para o papel, com potencial de valorização superior a 120%.

O paradoxo é que, no dia anterior à queda, o PicPay havia divulgado um resultado que, em boa parte das métricas, superou as expectativas do mercado.

O resultado que não foi suficiente

O lucro líquido ajustado do primeiro trimestre de 2026 somou R$ 169 milhões, alta de 92% em relação ao mesmo período de 2025 e 9% acima das estimativas do BTG, do guidance da companhia e do consenso de mercado. A receita líquida cresceu 70%, chegando a R$ 3,5 bilhões. A carteira bruta de crédito avançou 116% em 12 meses, para R$ 28 bilhões.

Números expressivos. Mas o mercado olhou além deles.

O problema está na inadimplência

Ao revirar o balanço, os analistas identificaram que o problema do banco digital está na inadimplência. O índice de créditos vencidos acima de 90 dias atingiu 8,9% no trimestre, avanço de 169 pontos-base na comparação com o quarto trimestre de 2025. A inadimplência precoce subiu 80 pontos-base, para 8,4%. A formação de créditos problemáticos acima de 90 dias avançou 60 pontos-base, para 3,9%. A cobertura da carteira caiu 26 pontos percentuais, para 156%, ficando 10 pontos abaixo da projeção dos estrategistas do BTG.

O BTG reconheceu que parte desse avanço na inadimplência está relacionada ao forte crescimento da carteira de crédito, e que isso não significa necessariamente que o banco esteja emprestando para clientes mais arriscados. Mesmo assim, o mercado reagiu negativamente à sinalização de que os índices devem continuar subindo antes de convergir para cerca de 10% até o fim do ano. Enquanto não houver sinais mais claros de estabilização da inadimplência, a recuperação das ações tende a permanecer limitada.

O que ainda sustenta otimismo

Nem tudo é pessimismo no cenário do PicPay. Os indicadores que ajudam a prever a qualidade da carteira de crédito continuaram melhorando, enquanto o custo de risco e as despesas permaneceram sob controle. O banco também avaliou que o PicPay está conseguindo gerar mais receita sem ampliar sua estrutura, resultado atribuído em parte ao uso de Inteligência Artificial. O número de funcionários segue praticamente o mesmo desde outubro de 2025, e a meta de ampliar o quadro em 10% neste ano foi abandonada.

Os depósitos cresceram 46% em 12 meses. A carteira de crédito com garantia avançou 191%, com o consignado privado respondendo pela maior parte da expansão.

Sobre o retorno sobre o patrimônio, o CEO Eduardo Chedid foi direto: "Nos próximos dois a três trimestres, conforme usamos esse capital para continuar crescendo produtos de alta rentabilidade de crédito, esse ROE volta a ficar acima de 20%."

O que isso significa para o mercado de fintechs

A situação do PicPay não é isolada. O crescimento acelerado de carteiras de crédito digital tem sido acompanhado de perto pelo mercado justamente por conta do risco de inadimplência crescente. O episódio reforça uma lição importante: crescer rápido é possível, mas crescer com qualidade de carteira é o que sustenta a confiança do investidor no longo prazo.

Para quem acompanha o setor de fintechs e pagamentos digitais no Brasil, o caso serve de termômetro sobre os desafios que vêm pela frente para bancos digitais que apostaram forte em crédito como principal motor de crescimento.

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