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Nem lucro recorde salvou o Inter: fintech despenca 18% com inadimplência em alta

02 de junho de 2026 Mercado Financeiro

O mês de maio foi de resultados divididos para as sete fintechs brasileiras negociadas nas bolsas norte-americanas. Lucros recordes no primeiro trimestre de 2026 não foram suficientes para segurar quedas, a inadimplência voltou a assustar investidores e uma empresa saiu na frente de todas as outras: o PicPay, com alta de quase 20% enquanto boa parte do setor amargava perdas.

O Inter registrou a pior performance entre todas as fintechs listadas. O papel, negociado na Nasdaq, saiu de US$ 7,52 no início de maio e fechou o mês a US$ 6,17, uma queda de 18%. No pior momento, em 19 de maio, chegou a US$ 5,77.

O que chama atenção nesse cenário é que o banco digital laranja havia acabado de anunciar um lucro líquido recorde de R$ 395 milhões nos primeiros três meses do ano, alta de 38% em relação ao mesmo período de 2025, com um Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) de 15,5%. Mesmo assim, as ações despencaram 14,5% no dia do anúncio dos resultados. O motivo foi a inadimplência acima de 90 dias, que subiu para 5,1%. A gestão atribuiu o aumento à expansão da carteira de crédito, mas os investidores preferiram adotar cautela diante do número.

Esse movimento revela um ponto importante do mercado financeiro atual: resultados positivos, por si só, não são suficientes para sustentar a confiança dos investidores quando indicadores de risco apontam para o lado errado. A inadimplência crescente funciona como um sinal de alerta sobre a qualidade da carteira de crédito e sobre os desafios que uma instituição pode enfrentar nos próximos trimestres.

PicPay lidera as altas

Enquanto o Inter vivia sua pior semana, o PicPay, também negociado na Nasdaq, garantiu seu lugar como a favorita do mês entre os investidores. O papel saiu de US$ 9,28 e fechou a US$ 11,00, alta de 18,53%, a maior do grupo e completamente na contramão da volatilidade que afetou boa parte do setor.

Os números do primeiro trimestre de 2026 do PicPay serão divulgados nesta semana, encerrando a safra de balanços das fintechs brasileiras com ações nos Estados Unidos. O resultado mais recente, referente aos últimos três meses de 2025, marcou o sexto trimestre consecutivo de lucro líquido da companhia, sinalizando uma mudança clara de postura: de uma fintech focada em crescimento acelerado para uma operação com geração recorrente de resultados. A adoção de ferramentas de Inteligência Artificial generativa no atendimento aos clientes e na análise de crédito contribuiu para reduzir o índice de eficiência ao menor patamar já registrado pela empresa, o que significa mais resultado com menos custo.

Nubank, XP e Agibank: trajetórias diferentes

A Nu Holdings, controladora do Nubank e listada na Nyse, caiu 7,28% em maio, passando de US$ 14,16 para US$ 13,13. A companhia divulgou receita recorde de US$ 5 bilhões e lucro de US$ 871 milhões no primeiro trimestre, mas o Lucro por Ação ficou um centavo abaixo do esperado pelos analistas. As provisões para perdas com crédito aumentaram 33% e a taxa de inadimplência acima de 90 dias chegou a 6,6%. Um ponto positivo foi a operação no México, que alcançou o equilíbrio financeiro pela primeira vez.

As ações da XP Inc., negociadas na Nasdaq, recuaram 7,15%, de US$ 17,88 para US$ 16,60. O lucro de R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre ficou ligeiramente abaixo das estimativas de parte do mercado. Analistas chamaram atenção para a redução das margens no varejo e para o ritmo mais lento de captação de novos recursos. Na última semana do mês, o anúncio de recompra de ações e a estabilidade dos Ativos sob Custódia ajudaram a reduzir parte das perdas.

O Agibank, listado na Nyse, foi na direção oposta. As ações avançaram 7,35%, saindo de US$ 6,80 para US$ 7,30. O banco ampliou sua atuação no crédito consignado para aposentados e pensionistas, uma modalidade historicamente considerada de menor risco. A redução do custo por cliente ativo e a estabilidade dos índices de inadimplência ajudaram na recuperação observada na segunda metade do mês.

Stone e PagBank: queda, recuperação e fechamento no azul

Stone e PagBank viveram praticamente o mesmo roteiro em maio: turbulência na primeira quinzena e recuperação firme na segunda, fechando o mês com saldo positivo.

A Stone saiu de US$ 11,09, chegou a US$ 9,61 em meados do mês e fechou a US$ 11,69, alta de 5,4%. A retomada veio acompanhada de dados positivos de crescimento no Volume Total de Pagamentos e melhora nas margens da divisão de software.

O PagBank saiu de US$ 8,80, foi a US$ 8,24 em 14 de maio e fechou a US$ 9,43, alta de 7,16%. Os resultados do primeiro trimestre mostraram crescimento na base de depósitos e no volume de transações, e o mercado reagiu bem à redução de despesas financeiras.

O cenário geral das bolsas em maio

O ambiente externo também influenciou o comportamento dos papéis ao longo do mês. O S&P 500 subiu 1,51%, a Nasdaq avançou 3,11%, o Dow Jones ganhou 0,75% e a Nyse subiu 0,65%. A Nasdaq foi o destaque, impulsionada pelo rali de semicondutores e Inteligência Artificial. Acordos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, recuo no preço do petróleo e balanços corporativos acima do esperado trouxeram alívios pontuais ao longo do período.

O mês deixou claro que o mercado está cada vez mais atento não apenas à rentabilidade das fintechs, mas à qualidade dos ativos que sustentam esse crescimento. Em um cenário de crédito em expansão, quem não conseguir equilibrar volume e inadimplência vai continuar pagando o preço nas bolsas.


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