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Bitcoin sobe pouco e fica atrás do rali das bolsas em dia de apetite por risco

05 de agosto de 2026 Mercado Financeiro

O Bitcoin segue em compasso de espera nesta quarta-feira (5), mesmo em um dia claramente favorável para ativos de risco. Enquanto as bolsas globais renovaram máximas, puxadas pelo entusiasmo em torno de inteligência artificial, a maior criptomoeda do mundo mal se moveu, permanecendo na casa dos US$ 64 mil.

Um comportamento fora do padrão

Historicamente, o Bitcoin costuma acompanhar de perto os movimentos de apetite por risco: quando o mercado tradicional sobe com confiança, o criptoativo tende a subir junto, ou até com mais força. Dessa vez, porém, essa correlação não se materializou com a mesma intensidade, deixando o mercado cripto sem um catalisador claro enquanto as bolsas seguem impulsionadas pela euforia com IA.

Do ponto de vista técnico, o ativo segue testando uma resistência importante perto dos US$ 64.650, que corresponde à média móvel exponencial de 50 dias, e ainda opera abaixo das médias de 100 e 200 dias, sinal de que a tendência de médio prazo continua cautelosa. Indicadores de momentum, como RSI e MACD, também reforçam esse cenário de indecisão.

BTC x bolsas: uma divergência que só cresce

Um ponto chamou atenção de analistas: a distância entre o desempenho do Bitcoin e o das ações americanas está aumentando. Desde o início de 2025, o S&P 500 já acumula alta superior a 25%, enquanto o BTC acumula queda de cerca de 35% no mesmo período, uma divergência que ficou ainda mais evidente na fase mais recente do rali das bolsas.

Isso não significa que o Bitcoin tenha parado de se comportar como um ativo de risco. A correlação móvel de 90 dias entre os retornos do BTC e do S&P 500 segue historicamente elevada, próxima de 45%, apenas um pouco abaixo do pico registrado no fim de 2025. Na prática, o Bitcoin continua reagindo às bolsas no dia a dia, mas tem participado menos das altas e sofrido mais nas quedas, o que resulta nessa trajetória mais fraca frente às ações dos EUA.

Enquanto isso, outro ativo tradicionalmente associado à proteção patrimonial também subiu: o ouro avançou junto com as bolsas e passou a ser negociado perto de US$ 4.160.

O que isso significa pra quem investe

Esse cenário reforça um ponto que todo investidor de cripto já deveria ter internalizado: o Bitcoin não é sinônimo automático de "ativo de risco em alta" nem de "reserva de valor estável", ele transita entre os dois papéis dependendo do momento, e isso torna sua leitura mais complexa do que simplesmente acompanhar o humor das bolsas.

Justamente por essa imprevisibilidade de curto prazo é que cada vez mais gente separa o joguinho, a especulação em cripto, da parte do dinheiro que precisa ficar protegida. Para essa segunda parte, uma stablecoin atrelada ao dólar, como o USDT, cumpre um papel bem diferente do Bitcoin: manter o valor estável enquanto o resto do mercado busca direção.

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